Entenda o que é o HPV e como se prevenir.

16.03.2014

HPV, uma doença sexualmente transmissível (DST), é a sigla em inglês para papilomavírus humano, condiloma acuminado, conhecido também como verruga genital. Existem mais de 200 tipos diferentes de HPVs, que são capazes de infectar a pele ou as mucosas, sendo que 40 deles podem infectar o trato ano-genital, podendo causar câncer, principalmente no colo do útero e do ânus. Porém, a infecção pelo HPV é muito comum e nem sempre resulta em câncer. A principal forma de transmissão do vírus do HPV é pela via sexual. Para ocorrer o contágio, a pessoa infectada não precisa apresentar sintomas. Mas, quando a verruga é visível, o risco de transmissão é muito maior. O uso da camisinha durante a relação sexual geralmente impede a transmissão do HPV, que também pode ser transmitido para o bebê durante o parto. O HPV é assintomático, ou seja, não exibe sintomas. Não se conhece o tempo em que o vírus pode permanecer sem apresentar qualquer sinal. Estima-se que somente cerca de 5% das pessoas infectadas pelo HPV desenvolverá alguma forma de manifestação. A infecção pode se manifestar de duas formas: clínica e subclínica. As lesões clínicas se apresentam como verrugas ou lesões exofíticas, são tecnicamente denominadas condilomas acuminados e popularmente chamadas "crista de galo", "figueira" ou "cavalo de crista". Têm aspecto de couve-flor e tamanho variável. Nas mulheres podem aparecer no colo do útero, vagina, vulva, região pubiana, perineal, perianal e ânus. Em homens podem surgir no pênis (normalmente na glande), bolsa escrotal, região pubiana, perianal e ânus. Essas lesões também podem aparecer na boca e na garganta em ambos os sexos. As infecções subclínicas (não visíveis ao olho nú) podem ser encontradas nos mesmos locais e não apresentam nenhum sintoma ou sinal. No colo do útero são chamadas de Lesões Intra-epiteliais de Baixo Grau/Neoplasia Intra-epitelial grau I (NIC I), que refletem apenas a presença do vírus, e de Lesões Intra-epiteliais de Alto Grau/Neoplasia Intra-epitelial graus II ou III (NIC II ou III), que são as verdadeiras lesões precursoras do câncer do colo do útero. O desenvolvimento de qualquer tipo de lesão clínica ou subclínica em outras regiões do corpo é raro. O diagnóstico das verrugas ano-genitais pode ser feito em homens e em mulheres por meio do exame clínico. As lesões subclínicas podem ser diagnosticadas por meio de exames laboratoriais (citopatológico, histopatológico e de biologia molecular) ou do uso de instrumentos com poder de magnificação (lentes de aumento), após a aplicação de reagentes químicos para contraste (colposcopia, peniscopia, anuscopia). Na presença de qualquer sinal ou sintoma do HPV, é recomendado procurar um profissional de saúde, para o diagnóstico correto e indicação do tratamento adequado para o HPV. As lesões de baixo grau não oferecem maiores riscos, tendendo a desaparecer mesmo sem tratamento na maioria das mulheres. A conduta recomendada é a repetição do exame preventivo em seis meses. O tratamento das lesões clínicas deve ser individualizado, dependendo da extensão, número e localização. Podem ser usados laser, eletrocauterização, ácido tricloroacético (ATA) e medicamentos que melhoram o sistema de defesa do organismo. Foram desenvolvidas duas vacinas contra os tipos de HPV mais presentes no câncer de colo do útero: a vacina bivalente e a vacina quadrivalente, ou seja, previne contra quatro tipos de HPV: o 16 e 18, presentes em 70% dos casos de câncer de colo do útero, e o 6 e 11, presentes em 90% dos casos de verrugas genitais. A outra é específica para os subtipos de HPV 16 e 18. O SUS começou a oferecer a vacina contra o HPV para meninas de 11 a 13 anos, em postos de saúde e em escolas públicas e privadas de todo o país.  A dose, que ajuda a proteger contra o câncer de colo do útero, estará disponível nos 36 mil postos de saúde da rede pública durante todo o ano, de acordo com o Ministério. Em 2015, o público-alvo serão as meninas de 9 a 11 anos e, a partir de 2016, a ação ficará restrita às meninas de 9 anos. O teste por biologia molecular mais indicado é a Pesquisa e Genotipagem para HPV. A genotipagem é importante pelo fato de determinar exatamente qual o tipo de HPV encontrado na amostra, o que pode influenciar, por exemplo, na decisão de necessidade ou não de vacina. Sabendo que existem mais de 200 tipos de HPV descritos e que alguns são mais prevalentes do que outros, o que fez com que as vacinas fossem direcionadas aos tipos mais comuns: 16 e 18, que estão associados ao maior risco para desenvolvimento de câncer e 6 e 11, mais associados ao condiloma com formação de verrugas. O que tem acontecido, esperando-se que se intensifique ainda mais após a vacinação em massa, é uma diminuição da prevalência dos tipos mais comuns, com aumento de casos dos tipos menos comuns, mas que também podem ser de alto risco para o desenvolvimento de câncer de colo uterino ou anal. Daí, a grande importância de se fazer a genotipagem para a determinação do tipo específico de HPV presente na amostra. Também importante lembrar, ainda referente à tipagem viral, é que a vacinação não substitui em absoluto o uso de proteção durante o ato sexual, pois além dos tipos que não estão cobertos pela vacinação, existem diversas outras doenças, incluindo o HIV, que podem ser transmitidas da mesma forma.