Como os exames de imagem podem auxiliar na decisão terapêutica para o Alzheimer

30.01.2019

Exames como Tomografia Computadorizada, Ressonância Magnética e métodos da Medicina Nuclear podem ser aliados na avaliação de demências como o Alzheimer.

 
  • Por Dra. Andrea Souza
  • Especialista em Radiologia e membro da equipe de Ressonância Magnética, Tomografia Computadorizada e Raios-X Digital do Richet Medicina & Diagnóstico

 

Melhores condições de alimentação, saneamento e acesso a atendimento médico têm proporcionado o envelhecimento progressivo da nossa população com um significativo incremento do número de idosos. E com habitantes mais velhos, consequentemente é observado que há um maior número de eventos ou óbitos decorrentes ao câncer, doenças cardiovasculares ou respiratórias, diabetes e doenças neurodegenerativas.

A demência é um termo genérico que infere declínio mental com comprometimento da execução das atividades de vida diária. A doença de Alzheimer (DA) responde por cerca de 60 a 80% dos quadros demenciais, sendo seguida pela demência vascular (por exemplo, secundária ao acidente vascular cerebral).

 

Alterações relacionadas aos quadros demenciais

  • As principais queixas relacionadas aos quadros demenciais podem incluir alteração e/ou perda de memória, prejuízo da capacidade de se comunicar e/ou da linguagem, dificuldade para manter a atenção, comprometimento de julgamento de situações do dia-a-dia e alterações de percepção e processamento visual.

O paciente com demência pode se perder na rua, não reconhecer pessoas ou lugares que sempre conheceu, ter comprometimento do planejamento financeiro ou da agenda pessoal podendo esquecer de pagar contas ou faltando a compromissos habituais, preparar sem a mesma facilidade uma receita que sabia fazer há muitos anos, dentre tantas outras situações corriqueiras da rotina diária de qualquer pessoa.
 

Alzheimer é a 6ª maior causa de morte nos EUA

Segundo a Alzheimer´s Association, a doença de Alzheimer é a 6ª maior causa de morte nos EUA, sendo o principal motivo de incapacidade laboral/social e de saúde debilitada. Podemos citar outros dados interessantes e também impactantes: um entre três idosos morre com DA ou outro tipo de demência; quadros demenciais matam mais do que a combinação de câncer de mama e de próstata; entre 2000 e 2015, o número de mortes por doença cardiovascular aumentou em 11%. Por outro lado, houve um aumento de 123% do número de mortes pela doença de Alzheimer; a cada 65 segundos alguém nos EUA abre o quadro de demência de Alzheimer!

A doença de Alzheimer tem enorme impacto socioeconômico — em 2018, estimou-se que os quadros demenciais custarão 277 bilhões de dólares à nação em 2050, podendo atingir até 1.1 trilhão de dólares.

 

Atenção: Nem todo problema de memória quer dizer que o paciente tenha Alzheimer

Nem todo comprometimento da memória ou de qualquer outro domínio cognitivo significa que um paciente idoso tem doença de Alzheimer. Há outras causas, inclusive tratáveis, que podem e devem ser investigadas e excluídas antes que o diagnóstico de uma doença neurodegenerativa seja dado ao paciente.

  • Neste sentido, a avaliação clínica é fundamental. E pode “ganhar dados aliados” através de análises laboratoriais (sangue e urina por exemplo) ou de diversos métodos de imagem, funcionais ou puramente anatômicos, cada um com sua peculiaridade e contribuições.

 

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  • É sempre interessante definir se o início do comprometimento cognitivo aconteceu de forma AGUDA, ou se tem um caráter CRÔNICO e mais arrastado.


Dentre causas AGUDAS para alteração da cognição de um paciente idoso, é muito importante afastar e investigar:

  • - Causas metabólicas (diabetes não controlado, hipoglicemia, desidratação, infecções urinárias ou respiratórias).
  • - Traumatismo craniano – verificar histórico de quedas com traumatismo craniano. Na vigência de tratamento antitrombótico/anticoagulante, simples quedas podem estar relacionadas a hematosas intracranianos volumosos, intra ou extraparenquimatosos.
  • - Caso a alteração de fala, marcha, visão, memória ou audição tenha ocorrido de forma SÚBITA, é importante afastar causas vasculares (acidentes vasculares isquêmicos ou hemorrágicos, ou ataques isquêmicos transitórios em áreas eloquentes).

 

Dentro dos quadros cognitivos CRÔNICOS, de evolução mais lenta e progressiva, a demência deve ser considerada, destacando-se a doença de Alzheimer como principal causa.

No contexto do declínio cognitivo também não podem ser excluídas causas infecciosas (sobretudo em  pacientes com imunidade debilitada) ou tumorais (primárias ou metastáticas).

 

Traumatismos cranianos podem ser adequadamente avaliados através de exames de tomografia computadorizada (TC)

A tomografia computadorizada é um método que usa radiação ionizante, de fácil e rápida execução, algo bastante interessante em pacientes que possam estar confusos, desorientados ou agitados. Este método permite verificar: a presença ou ausência de fraturas dos ossos do crânio e face: presença de hematomas intracranianos ou subgaleais; se as coleções hemáticas são pequenas ou volumosas, e o quanto exercem efeito compressivo sobre estruturas encefálicas.

Ainda dentro do contexto do TCE, há hematomas intracranianos que se formam muito lentamente, e que podem levar a alterações cognitivas muitas semanas após o trauma, em um momento que o paciente, familiares ou acompanhantes nem mais relacionam o evento traumático à alteração cognitiva. Aqui a TC também tem papel muito importante.

  • A tomografia computadorizada também pode ser um primeiro método para a avaliação rápida de pacientes com suspeita de acidentes vasculares encefálicos, sobretudo quando o quadro clínico é grave. Após a estabilização do quadro, um maior detalhamento anatômico pode ser agregado através da ressonância magnética, que não somente fornece informações anatômicas bem mais detalhadas mas pode incluir sequências específicas para avaliação dos vasos cerebrais arteriais e venosos, para verificar a presença de lesões isquêmicas recentes (através da sequência de difusão), se há sinais de sangramento recente ou antigo, dentre tantas outras possibilidades.

 

Ressonância Magnética na avaliação de demências

  • A ressonância magnética é um método que não utiliza radiação ionizante para a formação das imagens, e também permite a análise detalhada de pequenas estruturas cerebrais localizadas na face interna dos lobos temporais, os hipocampos, importantíssimas na função da memória.

Outra característica interessante da ressonância magnética é a possibilidade da avaliação bioquímica in vivo do tecido cerebral de forma não invasiva através da espectroscopia de prótons. Com este método é possível avaliar alguns metabólitos tais como o N-acetilaspartato, um marcador de funcionalidade e densidade neuronal.

 

Medicina Nuclear na avaliação de demências

  • Na avaliação das demências vale ressaltar a grande importância dos métodos funcionais da Medicina Nuclear, tais como o SPECT e o PET.

Há alguns padrões que podem ser encontrados na demência de Alzheimer, mesmo nos quadros mais iniciais do processo neurodegenerativo. O PET também pode ser de extrema valia em contextos onde a suspeita seja demência de Lewy.

Em resumo, todos esses métodos, nas mãos de profissionais dedicados e altamente qualificados, servirão de fonte adicional de dados para colaborar com o médico assistente na condução dos casos, podendo impactar na decisão terapêutica.

 

 

 

 

 

 

 

 

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