NMR Lipo Profile - Análise especializada do colesterol e do risco cardiovascular

03.09.2013

A doença arterial coronariana é responsável pelo maior número de mortes de indivíduos adultos no mundo. Vários estudos têm demonstrado a relação de níveis aumentados do colesterol presente nas lipoproteínas de baixa densidade (LDL-C) com o risco de desenvolvimento de doença. O III Consenso Brasileiro sobre Dislipidemias estratifica faixas de valores de LDL-C para avaliação do risco de desenvolvimento da doença arterial coronariana: desejável abaixo de 130 mg/dL, limítrofe entre 130-159 mg/dL, e alto a partir de 160 mg/dl.

 

As dislipidemias estão entre os mais importantes fatores de risco da doença cardiovascular aterosclerótica, integrando o conjunto das doenças crônico-degenerativas com história natural prolongada, tais como a hipertensão, a obesidade e o diabetes melito. Estudos epidemiológicos têm demonstrado ocorrer um incremento linear na mortalidade, por doença coronariana, com aumento dos níveis séricos de colesterol total em jovens adultos, que se acentua quando associados a outros fatores de risco.

 

Vivemos um aumento progressivo na incidência das doenças cardiovasculares e os fatores de risco, como tabagismo, sedentarismo e alimentação pouco saudável, estão diretamente relacionados com essas mudanças.

 

Diversos estudos comprovam a influência da alimentação e dos hábitos de vida nos lipídios sanguíneos e na evolução da aterosclerose, e outros mais, mostram a dificuldade de fazer a população melhorar esses hábitos, evidenciando assim, a necessidade de um monitoramento periódico cauteloso.

 

Atualmente, o Perfil Lipídico convencional, composto pelas dosagens de colesterol total, triglicérides e das frações do colesterol (HDL, LDL, VLDL) é a metodologia usualmente empregada para avaliação do risco de doença arterial coronária e no monitoramento de pacientes com hipotireoidismo, diabéticos e obesos.

 

Como sabemos, a aterosclerose caracteriza-se pelo acúmulo de lipídios dentro e ao redor das células na íntima das artérias e está associada com a proliferação celular e fibrose, provocando o estreitamento do lúmen do vaso. O desenvolvimento da aterosclerose está ativo em todos os indivíduos e pode permanecer sem qualquer manifestação por décadas, podendo se manifestar por dor torácica, infarto agudo do miocárdio ou morte súbita. Estudos populacionais longitudinais e dados epidemiológicos demonstraram uma correção positiva entre os níveis do colesterol, mais precisamente do colesterol LDL e o risco de doença arterial coronariana (DAC).

Segundo a American Heart Association, aproximadamente metade das pessoas com histórico de doença cardiovascular podem apresentar valores de LDL dentro dos limites da normalidade, porém com alterações estruturais nestas partículas.

 

Estudos aprofundados sobre o tema levaram ao desenvolvimento de outras metodologias capazes de ir além da dosagem sérica destes componentes, possibilitando medir também o tamanho das partículas assim como a dosagem das subfrações, proporcionando, desta forma, ampliar a possibilidade de detecção precoce de riscos cardiovasculares.

 

Foi lançado em 2009, pela Liposcience nos EUA, um painel denominado NMR Lipo Profile capaz de medir o tamanho das partículas de LDL (LDL-P). Diferente do lipidograma convencional, o NMR consegue através de ressonância nuclear magnética, imagens digitais das moléculas de colesterol circulantes, proporcionando um estudo especializado do perfil lipídico individual.

 

Dentro deste perfil, é quantificado o tamanho das partículas de LDL, HDL e VLDL (LDL-P, HDL-P e VLDL-P, respectivamente) e é avaliada ainda, a sua estrutura (LDL size). Partículas maiores e mais leves de LDL diminuem o risco de acidente cardiovascular em contrapartida às partículas menores e mais densas, quem possuem maior facilidade de acumulo nos vasos sanguíneos.

 

Hoje, com mais de 6 milhões de indivíduos testados, este método é indicado pelas academias americanas de Cardiologia e Diabetes e empregado como método de escolha pela Clínica Mayo nos EUA para análise avançada do perfil lipídico dos seus pacientes.

 

Desde 2010 o Laboratório Richet oferece o VAP teste. Este painel se trata de um perfil lipídico mais amplo que o lipidograma convencional, pois é composto também pelas dosagens de lipoproteína A, Apolipoproteína B, fração IDL do colesterol e subfrações do HDL, LDL e VLDL além de fornecer também, uma analise qualitativa da molécula de LDL.

 

A grande diferença entre o perfil VAP e o novo perfil NMR, recém-incluído no menu de exames do Richet, é a possibilidade de quantificação das partículas. Um diferencial importante, considerando que, segundo a American Heart association, metade das pessoas com LDL < 130, têm alterações estruturais nas partículas de LDL capazes de predizer riscos cardiovasculares.

 

Para realização do VAP teste, NMR Lipo profile, assim como para o lipidograma convencional é indicado 12 horas de jejum, não descendendo a 10 horas ou superando 14. Os testes são realizados individualmente utilizando um tubo de soro. A previsão de liberação do resultado é de até 12 horas para lipidograma convencional e de no máximo 15 dias para o VAP teste ou NMR Lipo profile.

 

Dosagens realizadas em cada perfil:

Lipidograma Lipidograma Ampliado Richet VAP teste NMR Lipo Profile
  • Colesterol Total
  • Triglicerídeos
  • LDL, HDL e VLDL
  • Colesterol Não-HDL
  • Colesterol Total
  • Triglicerídeos
  • LDL, HDL e VLDL
  • Colesterol Não-HDL
  • Lipoproteína A
  • Apolipoproteína A
  • Apolipoproteína B
  • Colesterol Total
  • Triglicerídeos
  • LDL, HDL e VLDL
  • Lipoproteína A
  • Apolipoproteína B
  • Colesterol não HDL,
  • Colesterol IDL
  • Subfrações  LDL 1, LDL 2, LDL 3 e LDL4, HDL 2, HDL 3, VLDL 3
  • Qualificação da partícula LDL (menor ou maior)
  • Estimativa de risco.
  • Colesterol Total
  • Triglicerídeos
  • LDL, HDL e VLDL
  • HDL-P, LDL-P e VLDL-P,
  • Qualificação e quantificação da partícula LDL (menor ou maior)
  • LP-IR Escore
Bibliografia:
1. NCEP. National Cholesterol Education Program. Second report of the expert panel on detection, evaluation and treatment of high blood cholesterol in adults (Adult Treatment Panel II). Circulation 1994; 89:1329-1345.
2. Grundy SM. Role of low-density lipoproteins in atherogenesis and development of coronary heart disease. Clin. Chem. 1995; 41:139-146.
3. GordonT,KannelWB,CastelliWPetal.Lipoproteins,cardiovasculardiseaseand death. The Framingham Study. Arch. Intern. Med. 1981; 141:1128-1130.
4. SBC. Sociedade Brasileira de Cardiologia. Resumo das III Diretrizes Brasileiras sobre Dislipidemias e Diretriz de Prevenção da Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Arq. Bras. Cardiol. 2001; 77:1-48.
5. MARTINS, Ignez Salas et al . Doenças cardiovasculares ateroscleróticas, dislipidemias, hipertensão, obesidade e diabetes melito em população da área metropolitana da região Sudeste do Brasil: II - Dislipidemias. Rev. Saúde Pública,  São Paulo,  v. 30,  n. 1, Feb.  1996 .
6. SCHERR, Carlos; RIBEIRO, Jorge Pinto. Colesterol e gorduras em alimentos brasileiros: implicações para a prevenção da aterosclerose. Arq. Bras. Cardiol.,  São Paulo,  v. 92,  n. 3, Mar.  2009 .
7. Dansinger ML, Gleason JA, GriffithJL, Selker HP, Schaefer EJ. Comparison of the Atkins, Ornish, Weight Watchers, and Zone diets for weight loss and heart disease risk reduction: a randomized trial. JAMA. 2005; 293: 43-53.
8. Denke MA. Cholesterol-lowering diets: a review of the evidence. Arch Intern Med. 1995; 155: 1684-5.
9. Rifai N, Warnick GR, Dominiczak MH. Handbook of lipoprotein testing. AACC Press, Washington, 1997: 75-97.
Westgard JO, Barry PL, Hunt MR. Clin. Chem. 1981; 27: 493-501.
10. Burtis CA, Ashwood ER. Tietz Fundamento de Química Clínica, 4a Ed - Guanabara Koogan; 1998.
11. Caio Maurício Mendes de Cordova, Carlos Rudi Schneider, Iara Deise Juttel, Maurício Mendes de Cordova. Avaliação da Dosagem Direta do Colesterol-LDL em Amostras de Sangue de 10.664 Pacientes em Comparação com o uso da Fórmula de Friedewald. Arquivos Brasileiros de Cardiologia - Volume 83, No 6, Dezembro 2004
12.The NMR Lipoprofile is recommended in a Consensus Paper by the American College of Cardiology and American Diabetes Association. Diabetes Care, vol 31, no. 4, p 814, April 2008.
13. .http://www.liposcience.com/