O que é a MERS?

06.08.2016

A MERS é uma doença respiratória causada por um cononavírus chamado MERS-CoV, que significa Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Middle East Respiratory Syndrome), lugar onde teve origem. A doença foi identificada pela primeira vez em 2012 na Arábia Saudita e estima-se que já tenha infectado mais de mil pessoas em 25 países.

 

 

Os coronavírus (CoV) pertencem a uma família de vírus que podem causar diversos tipos de infecções respiratórias, desde um resfriado comum até doenças mais graves. A maioria das pessoas se infecta ao longo da vida com os coronavírus comuns. São eles o alfa coronavírus 229E e NL63 e o beta coronavírus OC43, HKU1.

Os coronavírus que causam as síndromes respiratórias graves, como a Síndrome Respiratória Aguda Grave, que ficou conhecida pela sigla SARS (Severe Acute Respiratory Syndrome) são associados à SARS (SARS-CoV). Tendo os primeiros relatos na China em 2002, o SARS-CoV se alastrou rapidamente para mais de doze países na América do Norte, América do Sul, Europa e Ásia, infectando mais de 8.000 pessoas e causando cerca de 800 mortes até a epidemia global ser controlada em 2003. Desde 2004, nenhum caso de SARS foi relatado mundialmente.

Acredita-se que o vírus da MERS seja transmitido nos estágios mais avançados da doença, através de secreções respiratórias, como as liberadas na tosse. A principal hipótese de transmissão é que ela ocorra de duas formas: de humanos para humanos e de animais para humanos, embora os mecanismos exatos de transmissão ainda estejam sendo estudados. Além de infectar humanos, o vírus do MERS-CoV foi encontrado em camelos no Qatar, Egito e Arábia Saudita e em morcegos na Arábia Saudita. Porém, não há constatação de que os camelos, morcegos ou outro animal sejam reservatório desse vírus.

Os primeiros casos da doença foram notificados no ano passado em alguns países do Oriente Médio, como Qatar, Kwait, Arábia Saudita e Jordânia. As pessoas contaminadas saíram de algum destes países e acabaram levando os primeiros casos para a Europa e Estados Unidos.

 

Fatores de risco

- Pessoas em contato com alguém que viajou ou que esteja na Península Arábica.

- Profissionais de saúde que entraram em contato com pacientes suspeitos de infecção por MERS-CoV sem a utilização de equipamento de proteção individual (EPIs) adequados.

- Pessoas que tiveram contato próximo com casos suspeitos ou confirmados de MERS-CoV.

 

Sintomas

Embora os sintomas da MERS-CoV sejam semelhantes a um resfriado, os sinais que servem de alerta são quando há evolução para doença respiratória com febre, calafrios, tosse, dispneia e dores no corpo. Alguns infectados podem apresentar diarreia e o agravamento da doença pode evoluir para tosse seca não produtiva, com hipóxia (falta de oxigênio em tecidos do corpo), necessitando de ventilação mecânica para manter os níveis normais de oxigênio. A maioria dos casos de síndrome respiratória aguda grave por Coronavirus evolui para pneumonia.

As complicações mais frequentes na evolução dos casos foram insuficiência respiratória, síndrome da angústia respiratória do adulto, choque séptico, insuficiência renal, coagulação intravascular disseminada e pericardite.

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) aproximadamente 30% dos pacientes com MERS-CoV evoluem a óbito.

 

Diagnóstico

O diagnóstico da MERS-CoV pode ser feito com amostras de sangue, fezes ou secreções nasais, através de testes sorológicos, PCR (Reação em Cadeia da Polimerase) ou cultura viral. Quando possível, há coleta também do sangue para hemocultura.

 

 

Prevenção

Ainda não há vacina contra a MERS, porém as medidas necessárias para prevenir a contaminação são: lavar as mãos frequentemente; evitar contato com pessoas infectadas ou com suspeita; cobrir o nariz e a boca com lenço descartável ao tossir ou espirrar; evitar o contato próximo com outras pessoas; descartar lenços em recipiente adequado para resíduos, imediatamente após o uso; evitar tocar olhos, nariz e boca; evitar tocar em superfícies como maçanetas, mesas, pias e outras; e não compartilhar alimentos, copos, toalhas e objetos de uso pessoal.

 

Tratamento

Ainda não há tratamento específico para doenças causadas pelo MERS-CoV. O tratamento é baseado nas condições clínicas do paciente, com medicamentos para combater a febre e internação e suporte de aparelhos que ajudem na respiração, até que o corpo combata o vírus. O tratamento para pneumonia causada por Coronavírus deve seguir o mesmo tratamento para as outras pneumonias adquiridas.

Mais orientações sobre o manejo clínico dos pacientes, poderão ser consultadas em:

http://www.who.int/csr/disease/coronavirus_infections/InterimGuidance_ClinicalManagement_NovelCoronavirus_11Feb13u.pdf