Oropouche: o arbovírus que causa a segunda doença febril mais frequente no Brasil

15.08.2017

Embora ainda desconhecido de grande parte da população, o oropouche é um dos mais importantes arbovírus (vírus transmitidos por picadas de mosquitos) do Brasil e causa a segunda doença febril mais frequente no país, perdendo apenas, em número de casos, para a dengue.

A arbovirose é transmitida aos humanos através da picada do mosquito Culicoides paraensis, mais conhecido como mosquito borrachudo, mosquito-pólvora ou maruim, mas pesquisas já comprovaram que outros vetores podem transmitir o vírus, como os mosquitos do gênero Aedes e Culex.

A doença necessita do mosquito para ser transmitida, não sendo conhecidos, até hoje, casos de transmissão direta de pessoa a pessoa.

Possui o nome da região onde a doença foi descrita pela primeira vez, o Rio Oropouche em Trinidad e Tobago, no ano de 1955. No Brasil, foi identificada primeiramente em 1960, quando foi isolada do sangue de um bicho-preguiça capturado durante a construção da rodovia Belém-Brasília.

Hoje é encontrado normalmente em países de clima tropical, como América do Sul, América Central e algumas localidades do Caribe, e no Brasil, o mosquito estava concentrado principalmente na região amazônica.

Recentemente, pesquisadores identificaram que o mosquito está se tornando mais adaptável ao meio urbano e está abrangendo seu território, o que torna possível que chegue com facilidade aos grandes centros urbanos. Esta adaptação preocupa os especialistas, pois os casos de febre oropouche – como é conhecida a doença causada pelo vírus, vem aumentando.

Em um primeiro momento, os sintomas da febre oropouche são os mesmos da dengue, chikungunya, zika e febre amarela: dores muito intensas nas articulações e atrás dos olhos, febre aguda, náuseas e dor de cabeça muito forte. Estes sintomas podem levar ao diagnóstico clínico de dengue, por essa razão, pesquisadores da FMRP-USP e de outras instituições, como a Fiocruz, alertam que o vírus oropouche pode ser a causa de muitos casos suspeitos de dengue no país.

Além destes sintomas iniciais, a doença também causa calafrios, intensa fotofobia, dores musculares  e na região lombar, anorexia, tontura, calafrios, vômitos, diarreia, congestão conjuntival (lacrimejamento), dor epigástrica (dor de estômago ou dor ao urinar) e em alguns casos, meningite e inflamação das meninges e do encéfalo, o que a torna uma patologia potencialmente perigosa.

Pesquisadores sugerem que o período de incubação seja em torno de quatro a oito dias, surgindo após este estágio os sintomas, que normalmente duram de quatro a cinco dias. Entretanto uma característica específica da febre oropouche é que pode ocorrer uma recaída em pelo menos um terço dos casos após a cura inicial, no qual os sintomas podem durar mais alguns dias.

Alguns pacientes desenvolveram infecção no sistema nervoso central - conjunto do encéfalo e da medula espinhal, também conhecido como neuroeixo. Pesquisadores apontam que doenças de base ou imunodepressão (deficiência do sistema imune ocorridas durante doenças, como o câncer e a Aids) podem facilitar que o vírus chegue ao sistema nervoso central.

Pode-se diagnosticar o vírus oropouche através de exames complementares e diagnóstico diferencial, como os exames de Sorologia para Vírus Oropouche (IGM e IGG) e RNA PCR para Oropouche.

A Sorologia é realizada através do sangue no quinto dia da doença, quando os anticorpos começam a ser detectados. O RNA (sigla em inglês para ácido ribonucleico) é uma molécula intermediária responsável pela síntese de proteínas da célula, fazendo a intermediação entre o DNA e as proteínas. O exame identifica o RNA do vírus na saliva, caso a pessoa tenha sido infectada.

Exames específicos para o diagnóstico da doença não são feito em muitos laboratórios, apenas nos considerados de referência. Desse modo, em algumas regiões o diagnóstico é feito apenas levando-se em conta a avaliação física e o histórico do paciente.

Os exames de Sorologia para Vírus Oropouche (IGM e IGG) e RNA PCR para Oropouche estão disponíveis em todas as unidades Richet.

Não há tratamento específico e nem vacinas disponíveis para a febre do oropouche.

Assim como em outras arboviroses, é utilizada apenas a medicação sintomática, que incluem remédios para dor, febre e mal-estar, para amenizar os sintomas.