Saiba mais sobre a esporotricose

20.08.2015

A esporotricose é uma micose provocada pelo fungo Sporothrix schenckii, transmissível aos animais (principalmente gatos) e aos humanos. A infecção atinge habitualmente a pele, o tecido subcutâneo e os vasos linfáticos, mas pode afetar também alguns órgãos internos. Esse fungo se prolifera em temperaturas altas e com umidade, por isso são mais comuns em regiões temperadas e tropicais, onde as condições climáticas são favoráveis à sua existência e proliferação.

 

 

Nos animais, a doença normalmente só é notada quando os primeiros sinais se manifestam formando lesões e feridas. Existem diferentes formas de contágio, pois o fungo pode ser encontrado na terra, em jardins e matas, assim como em locais de pouca higienização como lixões e áreas sem vigilância sanitária.

A transmissão da zoonose em humanos e animais acontece com a entrada do fungo em uma lesão ou abertura na pele. Também é possível ser transmitida em humanos por animais que não estão doentes, como por exemplo, o animal que arranha uma pessoa e possui o acúmulo do fungo nas unhas.

Após a penetração na pele, há um período de incubação do fungo, que pode variar de poucos dias a 3 meses.

As lesões da esporotricose são mais frequentes nos membros superiores e na face. A doença apresenta formas cutâneas, restritas à pele, tecido subcutâneo e sistema linfático, que são as mais frequentes; e formas extra-cutâneas, que afetam outros órgãos e são mais raras.

 

Forma cutâneo-localizada: As manifestações são localizadas e caracterizadas por nódulos firmes e/ou avermelhados e ulcerados, geralmente cobertos por crostas. É restrita à pele ou com discreto comprometimento linfático (íngua). Este tipo também pode ocorrer nas mucosas (boca, olhos).


Forma cutâneo-linfática: É a manifestação da esporotricose mais frequente. A infecção progride das lesões na pele e passa a afetar o sistema linfático. A lesão inicial é um nódulo que pode ulcerar (ferir). A partir dela, forma-se um cordão endurecido que segue pelo vaso linfático em direção aos linfonodos (gânglios) e, ao longo dele, formam-se outros nódulos, que também podem ulcerar, dando um “aspecto de rosário”. Pode ocorrer o surgimento de ínguas, que são, geralmente, discretas.


Forma cutâneo-disseminada: Ocorre em casos mais graves da doença e consiste na infecção generalizada do organismo afetando pulmão, ossos, sistema nervoso central, entre outros. As lesões nodulares, ulceradas ou verrucosas se disseminam pela pele. Esta forma é mais comum em pacientes imunodeprimidos.

Nos casos mais graves, em animais, é comum terem febre, perda de apetite, tosse com catarro, espirro, fadiga extrema, dificuldade de respirar, entre outros.

 

 

Cuidados especiais com os animais infectados:

O local habitado pelo animal deve ser devidamente higienizado e desinfetado com hipoclorito de sódio (com indicação de um profissional veterinário).

O animal deve se manter afastado de outros animais sadios.

Após o contato com o animal, realize uma cuidadosa higienização.

O dono do animal doente deve procurar manusear o animal com muito cuidado, de preferência usando luvas descartáveis.

Jamais interrompa o tratamento do animal sem o conhecimento e recomendação de um profissional veterinário.

Em caso de falecimento do animal, o enterro não deve ser feito em qualquer lugar para não surgir um novo foco de disseminação da doença. O mais indicado é que o animal seja cremado.

 

Diagnóstico e tratamento em animais:

O diagnóstico baseia-se no histórico, no exame físico (por um profissional veterinário e com uso de luvas) e exames laboratoriais, a citologia e a cultura para fungos e se necessário pode-se recorrer também à biopsia, num exame histopatológico.

Quando a infecção ainda é relativamente recente, o tratamento da doença pode ser eficaz, embora seja lento. Na maioria das vezes, são usados medicamentos antifúngicos ou antimicóticos, administrados de forma oral ou injetável e suplementos e vitaminas em conjunto, dependendo do caso. A medicação deve ser utilizada até a total cicatrização das feridas para evitar uma recidiva. O tratamento é longo e pode durar de 6 a 18 meses, sempre sob orientação do médico veterinário.

 


Diagnóstico e tratamento em humanos:

A confirmação diagnóstica da esporotricose acontece através de cultura do material obtido por curetagem da lesão, raspado de lesões abertas e aspirado com seringa de nódulos cutâneos.

O tratamento pode ser realizado com o iodeto de potássio, que é bastante eficaz mas pode ser acompanhado de efeitos colaterais, além de antimicóticos por via oral. As doses e o tempo de tratamento variam e devem ser determinadas pelo médico dermatologista. Formas graves da doença podem necessitar de tratamento com antimicótico por via venosa. Na forma localizada, pode ocorrer cura espontânea. O tratamento é longo e pode durar de 6 meses a anos.

É importante ressaltar que a esporotricose é uma doença tratável, tanto para humanos como para os animais. Mas seu tratamento deve ser completo e sem interrupções.