Você já ouviu falar da Síndrome de Guillain-Barré?

08.11.2015
Atualizado em: 02 de maio de 2019

 

A Síndrome de Guillain-Barré (SGB), também conhecida como Polirradiculoneurite aguda (PRN), é uma doença neurológica grave e autoimune que ocorre quando há produção inapropriada de anticorpos e estes atacam o próprio sistema nervoso, causando inflamação nos nervos e fraqueza muscular. No ataque, se perde a bainha de mielina, que é a substância que protege os nervos periféricos, provocando a debilidade muscular e inflamações, podendo ser fatal.

A SGB pode surgir de infecções provenientes de vírus ou bactérias. O ataque ao próprio sistema nervoso ocorre porque alguns vírus e bactérias têm proteínas bem parecidas com as proteínas que estão presentes na bainha de mielina causando um transtorno, onde os anticorpos também atacam a bainha de mielina. Por causa desse ataque, um processo inflamatório se inicia, atrapalhando a condução do estímulo nervoso até os músculos, ocasionando a paralisia muscular.

 

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  • Existem algumas variantes clínicas de Síndrome de Guillain-Barré:

A Polirradiculoneuropatia Desmielinizante Inflamatória Aguda ocorre lenta e progressivamente nos nervos periféricos e raízes nervosas. Ela começa normalmente com a fraqueza na parte inferior do corpo e se espalha afetando o resto do corpo. Suas manifestações clínicas incluem fraqueza e perda sensorial nas extremidades e ampliação dos nervos periféricos.

A Síndrome de Miller Fisher ocasiona uma perda sensorial, uma espécie de fraqueza facial, onde as extremidades do tronco perdem a força e seu reflexo mais intenso e profundo. Os primeiros sintomas são uma disfunção oculomotora (quando um ou ambos os olhos não se movem com precisão) súbita seguida pela perda dos reflexos e ataxia (perda ou irregularidade da coordenação muscular).

As variantes Neuropatia Motora Axonal Aguda e Neuropatia Motor-Sensorial Axonal Aguda são menos comuns. A primeira ataca os nervos motores e tem recuperação rápida, a segunda afeta os nervos motores e sensoriais e também as raízes dos nervos e tem recuperação lenta.

A pessoa que tem Polirradiculoneurite aguda pode se recuperar depois de meses ou até anos. Em alguns casos, o paciente pode demorar cerca de 3 anos para voltar a andar. Se a doença não for tratada, pode causar insuficiência respiratória, úlceras, trombose venosa profunda e outras complicações. Entretanto, a maioria dos pacientes consegue se recuperar completamente.

Causas

Ainda não se tem um resultado preciso sobre a causa da Síndrome de Guillain-Barré, mas a doença costuma se manifestar após cirurgias, vacinações, traumas, HIV, linfomas, gripe, hepatite, gravidez, gastroenterite aguda, infecções no trato respiratório e digestivo entre outros quadros clínicos.

O ZIka Vírus pode causar Síndrome de Guillain-Barré?

A associação entre o Zika e a Síndrome de Guillain-Barré foi reforçada por uma publicação na revista inglesa The Lancet, em 2016. Os cientistas analisaram um surto de Zika que ocorreu entre 2013 e 2014 na Polinésia Francesa e verificaram que no mesmo período houve um aumento do número de casos de Guillain-Barré.

 

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De acordo com dados da Fiocruz, o aumento no número de casos de síndrome de Guillain-Barré em locais com incidência de vírus Zika tem chamado a atenção dos pesquisadores para a relação entre as doenças; estudos vêm sendo desenvolvidos para analisar este aspecto. A síndrome de Guillain-Barré não é uma doença nova, transmitida pelo Aedes Aegypti, mas pode ser uma complicação que, aparentemente, era rara e que pode ser uma reação do organismo diante do vírus com que teve contato, acontecendo não só em casos de infecção por vírus zika, mas também dengue, Chikungunya, sarampo, entre outras doenças virais.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sintomas da Síndrome de Guillain-Barré

  • - Fraqueza muscular
  • - Taquicardia
  • - Queda ou aumento da pressão arterial
  • - Retenção urinária
  • - Constipação intestinal
  • - Perda dos reflexos
  • - Dor neurogênica, queimação ou formigamento distal
  • - Dor nas costas, quadris e coxas
  • - Coração acelerado e palpitações no peito
  • - Dificuldade para respirar e engolir
  • - Ansiedade, medo, vertigem e desmaio
  • - Alterações na sensibilidade
  • - Visão turva

 

Tratamento

A Síndrome de Guillain-Barré não tem cura ainda, mas existem muitos tratamentos que ajudam a diminuir os sintomas, tratar as possíveis complicações e acelerar a recuperação.

É necessário a hospitalização em casos graves, para que o tratamento tenha continuidade de forma correta. Porém, quando a doença ainda está no início, pode-se começar tratamentos para inibir os anticorpos que atacam as células nervosas.

Outra forma de tratamento é através do método chamado plasmaferese, que extrai o sangue do paciente, bombeia em uma máquina para remoção dos anticorpos e depois devolve ao paciente.

Também é possível bloquear os anticorpos através de altas doses de imunoglobulina que são adicionadas direto no sangue.

Cada tratamento será designado pelo médico que estiver acompanhando o caso clínico.