Doença púrpura: tipos, causas, sintomas e tratamentos

04.04.2019

Púrpura trombocitopênica idiopática — conhecida como "doença púrpura" — é uma doença autoimune que se caracteriza pela destruição das plaquetas, células produzidas na medula óssea e ligadas ao processo de coagulação inicial do sangue. O nome púrpura está diretamente relacionado à principal manifestação da enfermidade: o surgimento de manchas e placas roxas na pele, membranas mucosas e órgãos. As manchas — indolores e de tamanhos variados — são causadas pelo extravasamento de sangue para estas regiões, por conta da queda no número de plaquetas (trombocitopenia).

A púrpura é considerada uma doença rara, pois são menos de 150 mil novos casos surgindo por ano no Brasil. A enfermidade geralmente, é mais frequente em crianças, mas pode surgir em qualquer idade, especialmente dependendo da sua causa. Estima-se que ela atinja uma em cada 10 mil pessoas, incidindo mais nas mulheres em idade fértil do que nos homens.

 

Tipos

Podem ser púrpuras não-trombocitopênicas (com contagem normal de plaquetas no sangue) ou púrpuras trombocitopênicas (com contagem de plaquetas abaixo do normal).

  • Púrpura de Henöch-Schönlein

É o mais comum, que ocorre em crianças com menos de 10 anos, com surgimento de manchas vermelhas salientes, principalmente nas pernas e glúteos, podendo causar dor nas articulações ou abdômen.

  • Púrpura trombocitopênica idiopática

Provoca diminuição do número de plaquetas no exame de sangue, que causa sintomas como grandes manchas na pele e sangramento pelo nariz.

  • Púrpura trombocitopênica trombótica

É um tipo raro de púrpura, mais frequente entre os 20 e os 40 anos, que pode ser muito grave se não for tratada o mais rápido possível, provocando anemia, perda de plaquetas, e alterações neurológicas.

  • Púrpura fulminante

Surge principalmente no recém-nascido devido à falta de proteínas da coagulação, provocando a formação de coágulos nos vasos que podem dificultar a circulação do sangue. As manchas vermelhas podem tornar-se negras devido à morte celular da pele nesses locais.

  • Púrpura senil

Muito frequente nos idosos e caracteriza-se pelo aparecimento de manchas roxas devido ao envelhecimento da pele. Não existe tratamento para este tipo de púrpura, mas pode-se utilizar cremes com vitamina K para reduzir o problema.

Dependendo do tipo de púrpura, a doença tem cura. Em geral, a púrpura trombocitopênica imunológica tem bom prognóstico, desde que devidamente tratada. De qualquer forma, é aconselhado consultar um dermatologista para identificar o tipo certo e iniciar o tratamento adequado.

 

Causas

A púrpura ocorre quando pequenos vasos sanguíneos se juntam ou vazam embaixo da pele, e existem muitas causas possíveis para a enfermidade, as razões que levam à sua ocorrência dependem muito do tipo do problema.

Por exemplo, a púrpura não-trombocitopênica pode surgir por meio de:

  • - Amiloidose
  • - Coagulopatias
  • - Citomegalovírus congênito
  • - Síndrome de rubéola congênita
  • - Drogas que afetam a função das plaquetas
  • - Vasos sanguíneos frágeis
  • - Hemangioma
  • - Inflamação dos vasos sanguíneos (vasculite)
  • - Alterações de pressão que ocorrem durante o parto vaginal
  • - Escorbuto
  • - Uso de medicamentos esteroides

 

Veja também: O que é a Amiloidose? Quais são os seus tipos e como ocorre?

 

Já a púrpura trombocitopênica aparece como resultado de:

  • - Medicamentos que impedem a formação de plaquetas
  • - Trombocitopenia neonatal imune (pode ocorrer em bebês cujas mães têm PTI)
  • - Meningococemia (um tipo de púrpura saliente)

 

Sintomas da doença púrpura

A queda do número de plaquetas compromete o processo de coagulação do sangue a ponto de provocar sangramentos, fazendo com que os sintomas comecem a surgir. Os mais típicos são os sangramentos que se localizam na pele ou nas mucosas, formando manchas. Tais manchas podem ser consideradas petéquias (manchas pequenas) ou equimoses (manchas maiores).

São também sintomas: sangramentos nasais ou gastrintestinais, sangramentos na gengiva e no trato urinário. A ocorrência de edemas, dor nas pernas e hemorragias menstruais são menos comuns, porém mais difíceis de controlar.

É importante salientar que a intensidade dos sintomas varia de um paciente para outro. Em alguns casos, inclusive, os pacientes podem ser assintomáticos e dispensam tratamento.

 

Diagnóstico

O diagnóstico baseia-se no histórico clínico, físico e no resultado do hemograma. Uma vez constatado que o número de plaquetas está baixo, é de suma importância fazer o diagnóstico diferencial, porque doenças como aids, lúpus, leucemias e certas infecções virais também provocam queda no número de plaquetas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tratamento

Na infância, pode ocorrer remissão espontânea da doença, o que raramente acontece na vida adulta. Seja como for, a púrpura pode ter diversas causas, de modo que o tratamento varia de acordo com o diagnóstico estabelecido pelo médico. Por isso, somente um especialista capacitado pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento.

Geralmente são utilizados medicamentos intravenosos ou via oral para provocar o aumento gradual das plaquetas no sangue e controlar os sintomas. Entretanto, por causa dos efeitos colaterais adversos decorrentes destes remédios, seu uso deve ser reduzido o mais depressa possível.

 

Recomendações

Fique atento aos sinais que o seu corpo está dando. Sangramentos provocados pela baixa contagem de plaquetas são facilmente visíveis sob a pele ou mucosas. A presença inexplicável de pequenos pontos ou de manchas arroxeadas espalhadas pelo corpo deve ser um sinal de alerta. Procure assistência médica para diagnóstico e tratamento, se necessário.

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