Medicina Nuclear na Urologia Pediátrica

12.09.2019

Por Dra. Silmara Segala

É bem estabelecido o papel dos exames de Medicina Nuclear no diagnóstico e acompanhamento em diferentes afecções do aparelho urinário em pediatria. Uma das vantagens dos métodos cintilográficos, especialmente em pediatria, é a quase ausência de efeitos colaterais e de desconfortos para o paciente, bem como a baixa exposição à radiação ionizante. Além disso, não há idade mínima para a realização da cintilografia renal.

O DTPA-99mTc e DMSA-99mTc são utilizados na Cintilografia renal dinâmica e na Cintilografia renal estática, respectivamente.

O DTPA-99mTc  é filtrado pelo glomérulo e é utilizado para avaliar a perfusão renal, a filtração glomerular e a integridade do sistema coletor. As indicações clínicas para o procedimento incluem todas as uropatias que requerem avaliação da drenagem (estenose da junção ureteropiélica e ureterovesical, obstrução da saída da bexiga e rins com duplicidades) e avaliação funcional renal. É possível ainda, durante a cintilografia renal com DTPA, avaliar a presença de forma indireta de refluxo vesicoureteral.

O DMSA-99mTc  é usado para avaliar a integridade do parênquima renal e fornece de forma acurada a função renal relativa. É indicado para detecção de anormalidades focais parenquimatosas, sequelas renais pós-infecciosas, anomalias congênitas renais e para confirmação de um rim não funcionante.

 

Principais aplicações clínicas da Cintilografia Renal

  • Avaliação Pós-Natal da Hidronefrose Fetal:

Na diferenciação das hidronefroses obstrutivas das não-obstrutivas e avaliação da função renal diferencial entre os rins, bem como no acompanhamento dos pacientes com hidronefrose unilateral não submetidos a tratamento cirúrgico e com estudo de DTPA com diurético positivo para obstrução.

  • Infecções Do Trato Urinário:

Na detecção de cicatrizes renais, sendo a cintilografia com DMSA fortemente recomendada quatro a seis meses após a infecção aguda em crianças menores de três anos com ITU atípica ou recorrente e em crianças com mais de três anos com ITU recorrente.

  • Refluxo Vesicoureteral:

No monitoramento de cicatrizes renais com o estudo de DMSA, pois a evidência de nova cicatriz renal ou a evidência de pielonefrite durante a profilaxia ou vigilância sem antibióticos seria uma razão para mudança na conduta.

  • Agenesia Renal:

Para confirmar o diagnóstico de agenesia renal e excluir a presença de um rim ectópico.

  • Ectopia Renal:

Para estimar a contribuição do rim ectópico para a função renal total e avaliar sua drenagem.

  • Rim Em Ferradura:

Confirmar o diagnóstico e para procurar possíveis anormalidades funcionais.

  • Duplicidade:

O DTPA pode confirmar o diagnóstico de duplicidade, esclarecendo achados na US.

 

 

Imagens estáticas da cintilografia renal com DMSA-99mTC nas projeções anterior e posterior mostrando rim direito excluso funcionalmente.

 

  A    B

 

A – Imagens sequenciais de cintilografia renal dinâmica mostrando função glomerular normal bilateralmente e vias excretoras com padrão de obstrução à direita.

B – Renograma do rim direito mostrando padrão de ascensão rápida da radiotividade e fase de eliminação descendente lenta mesmo após a administração de furosemida.

 

 A     B

 

A – Cintilografia renal dinâmica com DTPA-99mTc mostrando função glomerular normal e vias excretoras pérvias bilateralmente. Nota-se, aos 24 minutos do estudo, refluxo vesicoureteral à esquerda.

B – Renograma do rim esquerdo mostra pico de radioatividade aos 24 minutos do estudo. (refluxo).

 

Autor

Dra. Silmara Regina Segala Gouveia

Coordenadora do serviço de Medicina Nuclear do Richet Medicina & Diagnóstico      CRM 52.105911-4

Médica formada pela Faculdade de Medicina de Catanduva, com residência em Medicina Nuclear pela Universidade de Campinas (UNICAMP). Título de Especialista em Medicina Nuclear pelo Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem. Membro da Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear.