O papel da Ressonância Magnética no diagnóstico da Esclerose Múltipla

22.07.2019

A esclerose múltipla é uma doença desmielinizante caracterizada por processo imuno-mediado, onde ocorre uma resposta anormal do sistema imune contra o sistema nervoso central, destruindo um de seus principais componentes, a mielina.  

O constante desenvolvimento de novas tecnologias promove uma maior acurácia sobre os critérios diagnósticos que, além dos critérios clínicos, também envolvem testes laboratoriais e o os estudos por imagem através da ressonância magnética.

 

A Ressonância Magnética (RM) na Esclerose Múltipla

A ressonância magnética é capaz de identificar as alterações complexas da mielina sendo necessária a utilização de sequências avançadas para a maior precisão no diagnóstico da esclerose múltipla, diferenciando-a de outras afecções desmielinizantes.

Os avanços da neuroimagem possibilitaram o desenvolvimento de recursos técnicos, sobretudo nos exames de ressonância magnética (RM), com capacidade de analisar diferentes aspectos da doença:

 

  • Identificar a perda inicial da mielina como se pode observar na sequência de transferência de magnetização (MT);
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  • - Avaliar o padrão de distribuição característico da doença bem como pequenas lesões de localização intracortical como na sequência com dupla recuperação do tempo de inversão (double inversion recovery brain imaging);
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  • Quantificar a perda da mielina, como nas sequências volumétricas pesadas em T1, utilizando programas de segmentação e quantificação;
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  • Identificar a dinâmica da progressão das lesões inflamatórias e o reconhecimento de lesões crônicas, visto na sequência para suscetibilidade magnética (SWI) e nos estudos pós contraste venoso, quando ocorre quebra da barreira hemato-encefálica;
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  • - Avaliar e quantificar as alterações da microestrutura da mielina e o impacto da destruição sobre os feixes de substância branca na arquitetura cerebral observado na sequência do tensor de difusão (DTI); e também
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  • - Identificar fatores prognósticos e as consequências da doença a longo prazo.

 

Autor

Dra. Patrícia Rafful

Radiologia      CRM 52.68669-7

Médica graduada pela UFRJ, com mestrado e doutorado pela UFRJ, com título de especialista pelo Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR) e pela Associação Médica Brasileira ( AMB). Aprovada no European Board of Pediatric Neuroradiology - European Society of Neuroradiology (ESNR), Médica Radiologista do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF) - UFRJ, Membro Titular do Colégio Brasileiro de Radiologia.