PAINEL MOLECULAR PARA INFECÇÕES SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS (ISTs)

27.07.2021

As Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) englobam cerca de 30 patógenos, dentre bactérias, vírus e parasitas. Alguns tipos de ISTs estão associados ao aumento de risco para a aquisição de HIV em até três vezes ou mais. Além do impacto imediato da própria infecção, as ISTs podem também estar associadas à transmissão vertical de mãe para filho e causas de infertilidade. Estima-se que, a cada dia, mais de 1 milhão de pessoas adquiram algum tipo de ISTs, em todo o mundo. Cerca de 500 milhões de pessoas adoecem a cada ano por uma das quatro ISTs mais prevalentes: Clamídia, Gonorreia, Sífilis e Tricomoníase.

Chlamydia trachomatis

C. trachomatis, o agente etiológico da clamidiose, causa morbidade e substancial aumento de gastos com a saúde em geral. As infecções por clamídia em mulheres, na maioria dos casos, cursam de forma assintomática; entretanto, podem evoluir para Doença Inflamatória Pélvica (PID), que é uma das principais causas de infertilidade feminina, gravidez ectópica e dor pélvica crônica. Tal como ocorre com outras ISTs inflamatórias, a ativação da mucosa pode facilitar a transmissão do HIV. Além disso, mulheres grávidas infectadas por clamídia podem transmitir de forma vertical para os seus bebês durante o parto, resultando em oftalmia neonatal e pneumonia. Em homens, a infecção por clamídia geralmente causa uretrite, podendo evoluir para epididimite e estenose uretral. Em ambos os sexos, a infecção por clamídia pode causar conjuntivite e artrite reacional. A pesquisa por PCR é atualmente o teste mais sensível e específico para a pesquisa de C. trachomatis. A sorologia não apresenta boa sensibilidade.

Neisseria gonorrhoeae

A infecção por N. gonorrhoeae, também conhecida como gonococos, causa uma das doenças mais antigas da humanidade, a gonorreia. A N. gonorrhoeae infecta geralmente as mucosas da uretra, cérvice, reto, faringe e conjuntiva. Em homens, além da uretrite tipicamente purulenta, pode haver evolução para epididimite. De forma mais rara, também pode ocorrer abscessos das glândulas de Tyson e Littre, além de infecção da glândula de Cowper, próstata e vesículas seminais. Em mulheres, a doença pode cursar de forma assintomática; entretanto, pode evoluir para cervicite, salpingite e PID. A síndrome de Fitz-Huge-Curtis é uma peri-hepatite causada por gonococos ou por clamídia, que ocorre principalmente em mulheres, causando dor abdominal no hipocôndrio direito, febre, náuseas e vômitos, semelhante à doença hepatobiliar.

Trichomonas vaginalis

O T. vaginalis é considerado um dos agentes etiológicos não virais de maior prevalência em todo o mundo, podendo causar tricomoníase (secreção vaginal anormal seguida de prurido e irritação) em mulheres e ser responsável por 10% a 12% dos casos de uretrites não gonocócicas (NGU) em homens, sendo que as infecções podem ser assintomáticas em 50% das mulheres e 70% a 80% nos homens. Em mulheres pode evoluir para PID e prematuridade de parto em gestantes. O seu diagnóstico por métodos convencionais, como a microscopia direta em secreções e amostras de urina ou através de coloração, como a de Papanicolaou, apresenta grau de sensibilidade bastante variável e depende tanto da qualidade da amostra, quanto da expertise do observador. A cultura, além de requerer meios específicos, não apresenta grau de sensibilidade adequado. O teste por PCR é o mais indicado, principalmente nos casos assintomáticos.

Micoplasmas genitais

M. genitalium e M. hominis e as duas espécies de Ureaplasma: U. urealyticum e U. parvum são os tipos mais comuns de Micoplasma encontrados no trato genital humano. M. genitalium foi identificado no início dos anos 80 como causa de uretrite masculina, sendo responsável por 15% a 20% dos casos de NGU, 20% a 25% de NGU não Clamidial e aproximadamente 30% das uretrites persistentes ou recorrentes. OS Ureaplasmas podem ser detectados no colo do útero e vagina em 40% a 80% das mulheres sexualmente ativas e assintomáticas e o M. hominis em 20% a 50%. Ureaplasmas e M. hominis podem ser considerados como comensais no trato genital inferior; entretanto, existe debate em curso sobre a patogenicidade desses microrganismos no trato genital inferior. O diagnóstico preciso de Ureaplasmas spp e Mycoplasma hominis em amostras cervicais é importante poque podem estar associados a resultados adversos da gravidez, sepse pós-parto, síndrome de resposta inflamatória sistêmica neonatal e displasia broncopulmonar. 

A triagem atual de ISTs consiste, na grande maioria dos casos, em pesquisas individuais de patógenos ou dupla de patógenos, como a Pesquisa de Neisseria/Clamídia. Entretanto, uma vez que grande parte das ISTs não apresenta sintomas visíveis, torna-se importante a ampliação da gama de patógenos a serem pesquisados, sendo corroborado também pelo fato de apresentarem sintomas semelhantes, mas regimes terapêuticos diferentes. Essa complexidade torna a utilização do painel de ITS uma poderosa ferramenta ao diagnóstico e combate às ITS.

 

 

 

 

Amostra: Secreção cérvico-vaginal (pode ser realizado em amostras coletadas em meio líquido para citologia), Secreção uretral e 1º jato de urina para homens.

Prazo: 3 dias úteis.

Sensibilidade: 100 cópias/reação.

 

CLIQUE AQUI PARA BAIXAR O ARTIGO

 

Autor

Dr. Helio Magarinos

Diretor Médico      CRM 52.47173-0

Diretor do Richet Medicina & Diagnóstico, Helio Magarinos Torres Filho é Médico formado pela Universidade Federal Fluminense, especializado em Patologia Clínica e Medicina Laboratorial e possui MBA em Gestão de Negócios pelo IBMEC. Helio Magarinos também é Membro da Sociedade Brasileira de Patologia Clinica (SBPC), da American Association for Clinical Chemistry (AACC), da American Society for Microbiology (ASM), da American Molecular Pathology (AMP) e da European Society for Microbiology and Infectious Diseases (ESCMID).