Quanto tempo é necessário estar de jejum?

06.06.2019

“Doutor, quanto tempo de jejum preciso fazer?”

Esta clássica pergunta muitas vezes vem logo após o médico fazer a solicitação de exames laboratoriais e entregar ao paciente.

Para saber mais sobre isso conversamos com o Dr. Helio Magarinos Torres Filho, Diretor Médico do Richet Medicina & Diagnóstico.

 

  • Afinal, é preciso fazer jejum?

Tradicionalmente, através de décadas, o jejum foi recomendado para a realização de exames, em especial aqueles relacionados ao metabolismo de alimentos. O raciocínio que levava a essa recomendação era baseado no fato de que, se alguém se alimentasse antes do exame, poderia haver uma elevação momentânea nos níveis das gorduras no sangue, dificultando a comparação com outro resultado colhido em jejum.

Porém, isso não havia sido comprovado em estudos científicos. Após a realização de pesquisas, com metodologia científica adequada, ficou demonstrado que as variações causadas pela alimentação não eram relevantes para os resultados. A partir daí a recomendação geral passou a ser a abolição do jejum prévio para quase todos os exames.

 

  • Mas quem precisa do jejum?

Todos os pacientes que já sabemos ser portadores de alterações dos níveis de triglicerídeos no sangue, uma substância que está diretamente ligada ao consumo e metabolismo de açúcares e gorduras; esses devem respeitar o jejum.

Todos os pacientes que estão em acompanhamento de tratamento para o controle do colesterol, e que têm resultados anteriores colhidos em jejum, por uma questão de se manter os níveis de base, devem continuar colhendo os exames sem alimentação prévia.

 

  • Existe alguma vantagem em não fazer jejum?

A coleta de sangue sem o jejum traz vantagens para o paciente que não precisa ficar sem se alimentar antes do exame, ou adequar seu horário de coleta só para conseguir alcançar o número de horas em jejum previsto.

Outra vantagem de não se fazer o jejum prévio é trazer a coleta para uma situação mais próxima ao dia a dia do paciente, já que muitos, diante da perspectiva do exame, fazem uma dieta mais rígida, que não seguem habitualmente. Nesse caso, o exame não estaria retratando a realidade do metabolismo do paciente. Esse resultado pode até mesmo impedir que um diagnóstico importante seja feito. A melhor recomendação é que o paciente faça a coleta dentro de uma rotina mais próxima possível da sua vida cotidiana.

Outra pergunta importante que deve ser feita aos pacientes é se está sendo usado algum medicamento ou mesmo um suplemento, vitamina, ou produto natural, que muitas vezes nem é identificado pelo paciente como medicamento. Algumas dessas substâncias podem ter influência direta no resultado dos exames.

 

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Um exemplo típico é a Biotina, que é uma vitamina usada com fins estéticos, que, quando ingerida em quantidades pequenas, não são capazes de alterar os resultados. Porém, hoje em dia, passou a ser utilizada em doses maiores, podendo interferir no processo de reações químicas dos testes, já que muitos utilizam uma enzima, chamada de Biotinidase, levando a possíveis elevações sem significado clínico.

 

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Autor

Dr. Helio Magarinos

Diretor Médico      CRM 52.47173-0

Diretor do Richet Medicina & Diagnóstico, Helio Magarinos Torres Filho é Médico formado pela Universidade Federal Fluminense, especializado em Patologia Clínica e Medicina Laboratorial e possui MBA em Gestão de Negócios pelo IBMEC. Helio Magarinos também é Membro da Sociedade Brasileira de Patologia Clinica (SBPC), da American Association for Clinical Chemistry (AACC), da American Society for Microbiology (ASM), da American Molecular Pathology (AMP) e da European Society for Microbiology and Infectious Diseases (ESCMID).

Co Autor

Dr. Luis Fernando Correia

M.D. Comentarista de Saúde      CRM 52.50238-4

Médico, Clínico Geral e Intensivista. Comentarista de Saúde Rádio CBN, Rede Globo de TV, GloboNews