Testes para a detecção de anticorpos AntiSARS-CoV-2 pós-vacinação

11.02.2021

O vírus SARS-CoV-2 possui diferentes regiões ou genes que são utilizados tanto para as vacinas, funcionando como princípio ativo, como também para os testes laboratoriais que pesquisam os anticorpos contra o vírus. A vacina da AstraZeneca utiliza fragmentos genéticos virais, mais precisamente da proteína S, de spike, que é a região responsável pela interação e entrada do vírus nas células humanas. Já a vacina Coronavac utiliza vírus inativado.

Em relação aos testes que fazem a detecção de anticorpos, sejam eles dos tipos IgG, IgM ou IgA, são utilizados dois tipos diferentes de proteínas que agem como antígenos, a proteína N de nucleocapsídeo e a proteína S de spike ou espícula. Os antígenos são os elementos nos quais os anticorpos presentes na amostra de sangue se ligam e assim conseguimos saber se existem anticorpos específicos para o vírus SARS-CoV-2 nas amostras de sangue.

Os testes que utilizam a proteína S como antígenos serão capazes de detectar os anticorpos em quem tomou ambas as vacinas, tanto a da AstraZeneca, quanto a Coronavac. Já os testes que utilizam a proteína N, só detectarão anticorpos em quem tomou a Coronavac e não servem para quem tomou AstraZeneca. Portanto, é importante ficar atento ao tipo de teste utilizado pelo laboratório de análises clínicas. Este tipo de informação geralmente vem descrita nos laudos e, quando não estiver descrito, vale a pena se certificar antes da coleta da amostra. Outras vacinas, como a da Pfizer, Moderna e Sputinik V, também utilizam a proteína S e, assim como ocorre com a vacina da AstraZeneca, os anticorpos específicos só serão detectados através de testes que utilizam a proteína S como antígeno. Já a vacina Covaxin, utiliza vírus inativado, como a Coronavac, e os anticorpos específicos serão detectados com ambos os tipos de testes, os que usam proteína S e os que usam proteína N, como antígenos.

 

 

S = Spike

N = Nucleocapsidio

(*) N/D = Não informado

 

Para os testes por metodologia imunocromatográfica, também conhecidos como testes rápidos para anticorpos contra o SARS-CoV-2, devido à grande diversidade de marcas e princípios antigênicos, não foram listados.

 

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Autor

Dr. Helio Magarinos

Diretor Médico      CRM 52.47173-0

Diretor do Richet Medicina & Diagnóstico, Helio Magarinos Torres Filho é Médico formado pela Universidade Federal Fluminense, especializado em Patologia Clínica e Medicina Laboratorial e possui MBA em Gestão de Negócios pelo IBMEC. Helio Magarinos também é Membro da Sociedade Brasileira de Patologia Clinica (SBPC), da American Association for Clinical Chemistry (AACC), da American Society for Microbiology (ASM), da American Molecular Pathology (AMP) e da European Society for Microbiology and Infectious Diseases (ESCMID).